Dicas para fazer um mochilão pela Ásia

Conversamos com a Bia Nunes, uma brasileira que viajou sozinha para a Ásia e passou 111 dias fazendo mochilão. Ela esteve em 32 cidades de Myanmar, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja e Malásia. A primeira parte da entrevista com ela você confere aqui. Agora, a Bia apresenta as melhores DICAS para quem quer fazer um mochilão pela Ásia e também fala sobre a parte burocrática da viagem. Entre na nossa sintonia de viagem!!!

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VS – Quais dicas você daria para quem quer fazer um mochilão pela Ásia?

  • Estude os lugares que pretende ir e faça um roteiro mesmo que seja totalmente alterado pelo caminho.
  • Pesquise sobre a necessidade de vacinas e vistos dos países que se pretende ir e, se possível, levar mais dinheiro do que eu levei. Não é legal ficar fazendo contas todo dia.
  • Consulte um médico antes e leve todos os remédios possíveis. Nesses países é muito difícil achar pessoas que falam inglês com nível suficiente para entender o que você está sentindo realmente e te indicar onde comprar e se é permitido comprar. Você terá diarreia na Ásia, mais cedo ou mais tarde, isso é fato. Rsrs.
  • Invista na mochila. Gaste dinheiro e compre uma realmente boa, que se adapte às suas costas e tenha todas as divisões que você precisa. Uma mochila ruim pode atrapalhar a sua viagem.
  • Leve o mínimo possível, mesmo. Cada calcinha pesa e cada quilo a mais incomoda. Se você sentir falta de algo, é muito fácil e barato comprar na Ásia, principalmente na Tailândia.
  • Se você não fala inglês, fica um pouco mais difícil de fazer amizade, pois não há tantos latinos viajando por lá. Se tiver tempo, invista no inglês. Isso irá ajudar muito na sua viagem.
  • Por último, converse com pessoas que já foram, mas saiba filtrar. A experiência é individual e gosto é algo muito particular.

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VS – Como você planejou a viagem?

Primeiro eu defini que iria no dia 1 de setembro e achei que seria legal voltar antes do natal para passar a data com a família. Então conversei com meu chefe e avisei que em dois meses eu iria partir. Depois comecei a pesquisar passagens e vi que era melhor começar por Bangkok na Tailândia, já que lá é o ponto de partida da maioria dos mochileiros que transitam pelo Sudeste Asiático. Explico: é mais barato e mais perto começar a viagem pela capital tailandesa. Passagens compradas! A ida seria no dia 1 de setembro de 2014 e a volta no dia 20 de dezembro do mesmo ano. Contei e deram 111 dias, quase 4 meses no mundão!

VS – Depois de comprar as passagens, você tinha que decidir o que fazer com o apartamento próprio onde morava. Como resolveu essa questão?

Como iria ficar apenas quatro meses fora, não queria alugá-lo com contrato para um desconhecido e ao mesmo tempo, precisava desse dinheiro enquanto estivesse viajando. Um dia, numa conversa informal com uma amiga, ela demonstrou interesse em morar lá enquanto eu estivesse viajando. Olha que sorte a minha?! Aluguei o apartamento para ela por seis meses, tirei apenas os meus itens pessoais e fui para a casa dos meus pais onde passei um mês resolvendo os últimos detalhes.

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VS – A viagem é bem longa e cansativa, né?!

Sim, mesmo Bangkok sendo mais perto, ainda assim é muito longe e demora uma eternidade para chegar, principalmente quando se está ansioso. Fui de Emirates de São Paulo a Dubai num voo de 14h30. Esperei 4h e então voei mais 6h30 para Bangkok. Foram 26 horas no total!

VS – Como funciona a burocracia de vistos em cada País?

Brasileiros não precisam de visto na Tailândia e nem na Malásia. Porém, a vacina de febre amarela é critério obrigatório para entrar na Tailândia. {Você pode tomar essa vacina gratuitamente em postos de saúde e precisará adquirir um certificado internacional para comprová-la. Saiba mais aqui}. Para o Laos e Camboja o visto é tirado na hora na fronteira. Apenas para Myanmar e Vietnã é preciso tirar o visto com antecedência. Como já sabia que iria para Myanmar primeiro, já tirei o visto aqui no Brasil. Foi um pouco trabalhoso, pois a embaixada fica em Brasília e não era permitido enviar nada pelos correios. Tive que mandar a papelada para uma amiga de lá que resolveu tudo para mim e depois enviou o meu passaporte para São Paulo. {Clique aqui para ter uma carta de aprovação para entrar no País e, aí assim, receber o seu vista definitivo}. Já o visto para o Vietnã eu tirei 10 dias antes de ir, na embaixada em Vientiane, capital do Laos. Ele te dá direito a 30 dias no país.

Comendo escorpião, em Bangkok, Tailândia
Comendo escorpião, em Bangkok, Tailândia

VS – Você fez todas as reservas de hospedagem antes?

Reservei apenas o primeiro hostel de Bangkok, pois sabia que iria chegar super cansada depois de 26 horas de viagem, e o primeiro de Yangon, em Myanmar, já que era meu começo e ainda não entendia muito essa dinâmica. Todos os outros lugares que fiquei eu escolhi na hora. Só fiquei em hostel ou hotéis pequenos. Às vezes dava um pouco de trabalho, mas normalmente era tranquilo.

VS – Quanto gastou, em média, para fazer essa viagem?

Gastei aproximadamente 14 mil reais incluindo passagens, vistos, acomodações, alimentação e algumas coisinhas que comprei e lembrancinhas para as pessoas. Levei um pouco de dinheiro que guardei antes de ir e me mantinha basicamente com o aluguel do meu apartamento, que aluguei para uma amiga durante o período que viajei.

VS – O que você levou na mochila?

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Secando as calcinhas na escada do beliche, em Hanói, Vietnã.

Minha mochila tinha 10kg. Eu acho que esse é o peso ideal tanto para uma viagem de 15 dias quanto para uma viagem de 1 ano. Tudo é muito fácil e barato de comprar, principalmente na Tailândia. Como são poucas roupas e faz muito calor, dá para usar no máximo 2, 3 vezes cada item. Desfiz-me de algumas coisas e comprei outras. Eu sempre comprava shampoo, condicionador e sabonete pequenos pelo caminho, conforme acabavam. A toalha de secagem rápida é super útil e calça jeans pesa muito e demora para secar.

 

VS – Você trabalhou em algum desses lugares?

Eu não trabalhei em nenhum momento. O sudeste asiático tem muita pobreza, consequentemente fica difícil arranjar emprego. Conheci pessoas que davam aulas de inglês e moravam um certo tempo em determinada cidade, mas o dinheiro não é alto. Em alguns lugares de muita festa, como ilhas da Tailândia, vi algumas pessoas trabalhando em troca de moradia ou comida. Outra opção é ser voluntária e conseguir hospedagem em troca. Os mais legais são bem concorridos.

Gostou das dicas da Bia? Compartilhe com a gente a sua experiência, deixe as suas dicas nos comentários 🙂

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Keila Marques
Curiosa e interessada, é movida pelas descobertas de diferentes estilos de vida, culturas, costumes, histórias e sabores! Já fez intercâmbio no Chile e na Austrália e sonha em fazer uma viagem de volta ao mundo!
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