FESTIVAL DE LANTERNAS NA TAILÂNDIA FORMA MAR DE LUZES NO CÉU

O propósito do Viagem em Sintonia é inspirar as pessoas a viajar, por isso esse espaço está aberto aos viajantes, que sempre tem uma história pra contar e uma dica-amiga pra dar. Hoje vocês vão acompanhar a experiência mágica da Maikel Kist Saad e do Renato Saad no Festival de Lanternas, Yi Peng, realizado anualmente na Tailândia para enviar as más energias, literalmente, aos céus.

“Eu sonhava em participar do Festival de Lanternas da Tailândia. Às vezes, nem acreditava que ele poderia ser verdade! <3 Para quem gosta de viajar sabe que escolher um destino nem sempre é tarefa fácil. Sempre queremos ir para vários lugares e ao escolher nosso destino de Lua de Mel, não foi diferente.

Como não somos amantes do inverno, logo de cara dividimos o mundo ao meio e focamos na metade do mundo que vive verão em Novembro – época em que iríamos nos casar! A decisão surgiu em uma daquelas conversas despretensiosas entre casais. Falei para o meu futuro marido: “Já sei! Vamos para a Tailândia participar do Festival das Lanternas!” Na hora, ele disse que eu nem sabia a data do festival, como poderia contar que seria justamente perto da data do nosso casamento. Eu, não fazia ideia, mas mesmo assim falei pra ele: “Procura aí, certeza que é em Novembro e um fim de semana depois do casamento”. No fim, acertei por que o Festival realmente acontece em Novembro e errei, porque era justamente no fim de semana do nosso casamento! 

Uma semana depois, em um domingo, recebi a ligação do decorador da festa do casório. Ele disse que tinha encontrado o lugar perfeito para o meu casamento, mas precisávamos mudar a data e antecipar UMA SEMANA. Fogos de artifíciooooo!

VAMOS PARA A TAILÂNDIA!

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Todas as nossas viagens são organizadas pelo meu marido. Nosso roteiro, hotéis e restaurantes que precisamos conhecer são escolhidos por ele. Então quando já estávamos na metade da jornada de 24h que levamos para chegar ao nosso destino, ele resolve me contar: “Então, não quis falar antes pra não te deixar triste, mas nós não temos ingressos para ver o festival”. Segurando as lágrimas, eu respirei e perguntei o que iríamos fazer. Bom, ele estava decidido a ir ao Festival mesmo assim e tentar arranjar um ingresso. Pela internet já não estavam mais vendendo e, além disso, reza a lenda que os tailandeses costumam enganar os turistas a respeito da data do festival, pois, para eles, o significado é religioso e extremamente importante. Enquanto para os turistas, muitas vezes, é somente uma atração. Por conta dessa situação, que hoje acontecem dois festivais: em um, só os tailandeses são convidados e a data é sigilosa para evitar turistas intrusos. Já o outro, era este que estava com ingressos esgotados. Ok, a culpa não era do Renato, vida que segue!

Chegamos em Chiang Mai, cidade onde o festival acontece, e nossa primeira tarefa era conseguir os ingressos! No hotel em que nos hospedados havia um casal de guias turísticos que fazia passeio pela cidade com o próprio carro. Eles, então, nos levaram ao templo e quando chegamos lá, o Festival estava sendo organizado. Entramos por um portal, que nos pareceu mais restrito, para procurar alguém que pudesse nos ajudar e o senhor que dirigia o carro desceu conosco e encontrou um monge, que era um dos responsáveis pelo festival. 

Ali mesmo contamos a nossa história e ele se desculpou, pois os ingressos já haviam esgotado. Insistimos e explicamos que foi o festival que motivou a escolha do nosso destino de Lua de Mel. Então, sorrindo e com uma calma que, acredito eu, só os monges têm, ele disse: “Já que vocês estão em Lua de Mel, este será o meu presente para vocês! Porém, como as lanternas são entregues com os ingressos, e não há mais ingressos disponíveis, vocês não terão lanternas para participarem da cerimônia. Tudo bem?”

Tudo ótimooooo! \o/ Saímos de lá com a palavra do monge e o combinado de que voltaríamos no grande dia. Foi uma daquelas coincidências da vida que você não acredita que seja apenas uma coincidência, sabe?! E o grande dia finalmente chegou! Fomos até o Festival sem nada em mãos, nenhum comprovante, em meio àquela multidão de pessoas. Não lembrávamos o nome do monge que havia conversado conosco, mas a pessoa que nos atendeu fez algumas ligações e acabou liberando a nossa entrada.

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Fomos levados por um caminho onde os demais convidados não tinham acesso e entramos em um templo onde havia algumas cadeiras somente para moradores da cidade e convidados especiais. E foi exatamente assim que fomos tratados, sempre de forma especial, muito cortês e educada. 

Tudo o que estava acontecendo era mágico!

Quando nos sentamos e olhamos para frente vimos aquele monte de pessoas, a cor alaranjada dos monges sentados no `altar´ misturada com o branco das lanternas que logo seriam acesas, demonstrando o real motivo de estarmos ali. Pois, antes de mais nada, estávamos lá pelo respeito à crença, fé e esperança de todos. 

Quando as lanternas começaram a ser acesas e a inflar, os SORRISOS foram se abrindo e aos poucos o silêncio foi dando espaço à euforia e ao encantamento de todos. Adultos viraram crianças ao verem nascer aquele mar de luzes e as primeiras lanternas se desprendendo e sendo entregues aos céus. Lágrimas dos mais variados olhos e olhares, vindos de diversos cantos do mundo, em suas diferentes formas de fé, simplesmente se entregaram e, então, não havia mais diferenças entre todos que estavam ali. Apenas presença.

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Todos estavam respeitando aquele momento. Ouvimos o maior silêncio que uma multidão é capaz de fazer. Como se TUDO isso não fosse o suficiente, algumas senhoras sentadas ao nosso lado, percebendo que não tínhamos uma lanterna, nos convidaram para acender lanternas com elas. Então sentimos um misto de expectativa e realidade. Como as lanternas são feitas de um papel muito fininho (assim como o nosso papel de seda daqui), tínhamos medo de queimá-la e acabar com a brincadeira e, ao mesmo tempo, havia a expectativa de ver a mágica da promessa daquele momento se tornar realidade. E foi então que eu vi o olhar, o sorriso e aquela cor no rosto do meu marido que só vi no nosso casamento <3

Talvez esse tenha sido o nosso primeiro grande e bom aprendizado. Nosso amor e a vida de casados podem ficar frágeis como o papel daquela lanterna e nós podemos ter com medo de estragar tudo, mas a expectativa de ver tudo dar certo e o cuidado para que de fato dê, pode nos levar a viver momentos de beleza única, de tirar o fôlego e de eterna gratidão. Que assim seja!

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Senti muito a presença de Deus. Acredito que quando não podemos explicar tamanha GRATIDÃO, BONDADE, EMOÇÃO e FELICIDADE, estamos mais próximos da grandeza de Deus. Atribuir todo e qualquer momento mágico como esse a Deus, é simplesmente devolvê-lo ao seu maior dono. E eu fiz isso nesse festival, entre lágrimas e sorrisos, dei graças a Deus, de corpo, alma e coração.

Sei que as pessoas buscam momentos e motivos diferentes para a escolha de uma viagem, mas se essas pessoas tiverem uma lista daquelas “coisas que quero fazer antes de…” Com toda a certeza que há neste mundo recomendo: vá a este festival, viva este momento e renove suas esperanças, sejam seus motivos quais forem. Essa experiência pode, sim, mudar toda as outras da sua vida.”

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Gente, muito emocionante o depoimento da Maikel, né?!! Tá difícil ler piscando pra lágrima não cair? Dá vontade de ir também, né?! Com certeza essa deve ser uma daquelas experiências que você guarda com carinho pra vida toda e cada vez que se lembra, agradece pela oportunidade.

Você que (ainda) não participou desse festival e quer assistir um vídeo que mostra todos os preparativos, clique aqui.

Já participou desse festival de lanternas? Compartilhe a sua experiência! 🙂

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Keila Marques
Curiosa e interessada, é movida pelas descobertas de diferentes estilos de vida, culturas, costumes, histórias e sabores! Já fez intercâmbio no Chile e na Austrália e sonha em fazer uma viagem de volta ao mundo!
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