Mulheres Girafas na Tailândia: como vivem?

Tive uma experiência muito especial na Tailândia quando conheci as mulheres Kayan, também chamadas de Padaung, porém conhecidas como Mulheres Girafas, em Chiang Mai, no norte do País. Elas moram nas proximidades dos campos de refugiados, pois pertencem às tribos que fugiram de Myanmar {antiga Birmânia} na década de 1980, em decorrência de um regime militar.

Alguma vez na vida você já deve ter visto fotos delas, não é?! As argolas douradas no pescoço são realmente impressionantes! Não tem como ver e não se interessar pela história dessas mulheres. E aí você quer ir lá na vila onde elas moram, conhecê-las, ver como elas vivem e tal. Foi o que fiz. Incluí a visita à tribo das Kayan no meu roteiro e criei aquela expectativa típica de quem esperou muito para conhecer alguém.

Mulheres Girafas na Tailândia: Como vivem?

Elas moram em uma região afastada do centro da cidade e não vivem verdadeiramente inseridas na cultura tailandesa, pois quase não saem de lá. Hoje existem três vilas das mulheres Kayan. Você estaciona o carro fora da vila e caminha até a entrada. Aí precisa pagar 500 Bath (cerca de R$ 45). O acesso é estreito, como se fosse um corredor, em chão de terra, depois começa a se expandir até se transformar em uma área no centro das casas.

Feitas de bambu e cobertas de palhas, as casas são pequenas, enfileiradas como barracas em feiras. Algumas servem para expor as bijuterias, artesanatos e tecidos que as próprias Kayan fazem. Ao entrar na vila, já fui abordada por uma mulher me convidando pra ver as peças dela. Elas vivem disso, dos turistas que pagam para vê-las e, eventualmente, compram os seu produtos {falo abaixo sobre a polêmica em torno disso}. Enquanto os homens trabalham em campos de arroz. Um detalhe curioso é que há uma escola {na verdade, é uma casa de um cômodo} dentro da vila, assim ninguém precisa sair para estudar.

É assim que elas trabalham
Trabalhando e, isso mesmo que você viu, falando ao celular. hehehe

O pescoço cresce ou o ombro desce?

Imagem: Jurvetson
Imagem: Jurvetson

As mulheres Kayan ganham a primeira argola aos cinco anos. A partir dos oito, trocam o colar anualmente, acrescentando um aro a cada troca. Com o passar do tempo, acabam formando uma “mola” em volta do pescoço. A meta é chegar no colar com 25 argolas – o máximo que uma mulher já conseguiu usar. E essa conquista pode pesar até 10kg! Pensa! O_O

A base do colar, que fica sobre as saboneteiras, é separada do resto “da mola” que envolve o pescoço para reduzir o desconforto na hora dormir. Aliás, a pele do ombros delas tem manchas roxas escuras. São as marcas deixadas pelo peso do colar, que pressiona os músculos do trapézio até eles descerem e sumirem entre a clavícula. Ou seja, não é o pescoço que aumenta, é o “ombro” que desce, criando a impressão de pescoço de girafa. Ah, e algumas mulheres também colocam argolas nos pulsos e nos tornozelos. Gente, como deve ser pesado carregar tudo isso!

Por quê elas usam argolas no pescoço?

Imagem: Juvertson
Imagem: Juvertson

Agora, uma resposta para o que você deve estar se perguntando agora {mas pra quê usar isso, meldels?}: cada um diz uma coisa. Hehehe. Uns falam que as argolas protegiam as mulheres do ataque de tigres, outros que essa foi a solução para elas se tornarem menos atrativas aos homens de outras tribos, evitando qualquer possibilidade de estupro ou sequestro. Também dizem que as argolas simbolizam uma semelhança com um dragão, que é uma figura folclórica da tribo Kayan. E ainda tem uma versão, de que quanto mais argolas a mulher conseguisse usar, mais chances ela teria de conseguir um bom marido.

Enfim, o que percebi é que as mulheres mais velhas se sentem bonitas como são e as mais novinhas não querem mais seguir essa tradição. Então, hoje elas vivem um conflito e, como já sabemos, a tendência é que as meninas deixem de usar. Dizem que algumas já nem usam mais, mas na vila que visitei não vi nenhuma sem o colar.

Polêmica: Elas vivem em um zoológico humano?

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Assim que entrei na Vila, ela se aproximou com esse acessório, oferecendo para eu colocar na cabeça e tirar foto com ela. Resultado: acabei comprando um colar dela.

Existem duas versões sobre essa história, segundo a BBC. A UN Refugee Agency, organização global dedicada a salvar vidas, afirma que o governo tailandês obrigou essas mulheres a se instalarem fora dos campos de refugiados, incentivando a indústria do turismo e se aproveitando dessa situação a ponto de proibir a migração delas para outros Países. Por outro lado, o governo afirma que elas não são refugiadas, são migrantes economicamente ativos que ganham dinheiro com o mercado de turismo e, inclusive, escolheram viver fora dos campos de refugiados. Independentemente de serem obrigadas ou não a morar lá, as condições em que elas vivem já são suficientes para te convencer a contribuir financeiramente.

A minha experiência foi a seguinte: não me senti bem. Sabe quando você sente que rola uma encenação para atrair turistas? E é mesmo, porque elas sobrevivem dessa exposição, dos olhares surpresos, das perguntas curiosas, das inúmeras poses para fotos e, por último, da venda de produtos. Curiosa que sou, fui. Pra quem também gostaria de ir, sugiro que contribua financeiramente porque elas realmente precisam e também que demonstre respeito e consideração, conversando, se interessando pela história delas e pelo trabalho que elas fazem.

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Quanto custa: 500 Bath a entrada (cerca de R$ 45)

Como chegar: Fomos com a nossa guia, mas também dá para ir de Tuk Tuk. A visita à vila faz parte de um tour que inclui o Kingdom Tiger {fotos com tigres} e a Mae Sa Snake Farm {show com cobras}.

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Você também conheceu as mulheres girafas? Conta pra gente nos comentários! 🙂

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Keila Marques
Curiosa e interessada, é movida pelas descobertas de diferentes estilos de vida, culturas, costumes, histórias e sabores! Já fez intercâmbio no Chile e na Austrália e sonha em fazer uma viagem de volta ao mundo!
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