Paris sob tensão: minha primeira vez na cidade luz

 

A França recordou a série de ataques ocorridos na noite de 13 de novembro de 2015 em Paris, deixando pelo menos 128 mortos e 200 feridos. Em julho deste ano, mais um atentado grave, só que dessa vez, em Nice, cidade litorânea a cinco horas da capital. Durante a festa do Dia da Queda da Bastilha um caminhão atropelou e matou 86 pessoas. Menos de 15 dias depois, um padre foi morto durante uma missa por jovens que alegaram pertencer ao Estado Islâmico.

Pouco tempo depois, em setembro, estive em Paris pela primeira vez. Neste mês, um carro foi encontrado com cinco botijões de gás e três recipientes de combustível, ao lado do Rio Sena, nas proximidades da catedral Notre-Dame. Embora nenhum sistema de detonação tenha sido localizado dentro do veículo, a suspeita foi o suficiente para gerar mais medo.

Paris sob tensão: minha primeira vez na cidade luz

Como vocês podem imaginar, o clima na cidade era de tensão. Praticamente todos os pontos turísticos {a Torre Eiffel inclusive} que visitei estavam assegurados por soldados com metralhadoras. Fiquei assustada, pois nunca tinha visto nada semelhante pessoalmente. Outra realidade chocante foi ver tantas pessoas pedindo dinheiro. Na avenida mais famosa do mundo, a Champs Élysées, vi os dois extremos: de um lado, pessoas visivelmente milionárias, montadas, literalmente, da cabeça aos pés; do outro, gente triste, ajoelhada, implorando por dinheiro. Em uma esquina, uma família, homem e mulher, dois filhos, todos sentados no chão, e à frente deles uma placa “Ajude-nos! Somos refugiados”. Bem triste.

 

Chegamos na cidade de trem e assim que saímos da estação, demos de cara com três saldados armados com metralhadoras 0_0 Começamos a andar em direção ao hotel e no caminho encontramos por moradores de rua, dormindo no chão, e fomos abordados por uma mulher pedindo dinheiro. Assim começou o meu primeiro dia em Paris. Eu, obviamente, guardava grande expectativa em relação à cidade e, claro, acabei me frustrando.

Pausa para ressaltar a importância de segurar a expectativa e adaptá-la ao cenário atual do País, que está em estado de alerta e recebeu muitos refugiados recentemente.

 

 

Não imaginei que além do clima de medo, iríamos nos deparar com pessoas implorando por dinheiro nas ruas e, mais do que isso, que logo no primeiro dia seríamos “roubados”. Pois é, sentamos em uma mesinha na calçada para almoçar – um clássico, né?! Na hora de pagar a conta, o garçom demorou para vir receber, então deixamos o dinheiro em cima da mesa, levantamos e sinalizamos para o garçom, que nos respondeu com um joinha. Assim que nos afastamos da mesa, um homem que vinha na direção contrária à nossa, pegou o dinheiro e começou a andar rapidamente – sem correr, sem chamar a atenção.

Ficamos assustados e a nossa primeira reação foi correr em direção ao homem, falando {em português mesmo, rs} para ele devolver o dinheiro. Como ele não parava de andar nem falava com a gente, chamamos o garçom, que veio correndo, mas não conseguiu detê-lo. Ele já havia entrado na estação de metrô, com a ajuda de um amigo que ficava na nossa frente, gesticulando e impedindo a nossa visão. Tudo isso aconteceu em questão de segundos, foi muito rápido. No fim, acabamos pagando metade da conta novamente para o garçom não ter que arcar com todos os custos. A dona do restaurante se desculpou e disse que isso nunca tinha acontecido.

Experiências são únicas e podem ganhar um novo significado

Essa foi a minha experiência em Paris. Confesso que não morri de amores pela cidade como 99,9% das pessoas dizem, mas acredito que outro fator pode ter influenciado: prefiro as cidades de médio porte, sem trânsito caótico, e deve ser por isso que me apaixonei por Amsterdam {veja nesse post}. E se tivesse ido antes dos atentados acontecerem, acredito que a primeira impressão teria sido outra. Vale lembrar que não me senti insegura na cidade, muito pelo contrário, os soldados impressionam, mas também transmitem segurança.

Ah, e apesar de tudo, fiquei emocionada diante da Torre Eiffel, feliz ao caminhar pelas ruas da cidade e fotografar cada detalhe {é algo que AMO fazer}, adorei conhecer o famoso Museu do Louvre e me deliciei com a comida deles!!!

Não quero jogar um balde de água fria em quem ainda não conhece a cidade. Apenas relatar a minha experiência para mostrar uma realidade que muitas vezes não é exibida e também para conscientizar quem está prestes a ir.

Espero poder voltar e dar um novo significado a Paris 🙂

 

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Keila Marques
Curiosa e interessada, é movida pelas descobertas de diferentes estilos de vida, culturas, costumes, histórias e sabores! Já fez intercâmbio no Chile e na Austrália e sonha em fazer uma viagem de volta ao mundo!
Keila Marques

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  • Juliana Peixoto

    Oi, querida. Interessante seu relato. Confesso que minha primeira impressão de Paris também não foi a melhor. Como estava indo de trem, achei interessante ficar em um hotel perto da estação, mas o bairro era horrível, sujo, cheio de pessoas mal encaradas nas ruas, ou seja, nada a ver com aquela Paris dos filmes. No dia seguinte, decidimos mudar de hotel. Ao pegar o metrô para ir ao novo hotel, quase fui furtada por 2 crianças, eles abriram a minha bolsa, um dos passageiros começou a gritar, eles se assustaram e não conseguiram levar nada. Fiquei bem chocada com a situação.
    Contudo, ao chegar no novo hotel, que ficava em um daqueles bairros maravilhosos de Paris, minha impressão mudou totalmente, esqueci tudo o que aconteceu antes e me apaixonei pela cidade. Para mim, Paris é a cidade mais linda do mundo (sei que faltam muitas pra eu conhecer ainda), mas para que uma carioca diga isso, acho que já significa bastante 😉
    Estou louca para poder voltar, conhecer lugares novos e poder praticar meu francês! 🙂
    Beijão

    • Oi, Ju! Nós também chegamos em Paris de trem e por esse motivo decidimos ficar em um hotel nas proximidades. Será que não ficamos no mesmo? Escolhemos o Holiday Inn – Gare De L’Est, mas na quadra debaixo tinha um Ibis, e foi justamente nesse quarteirão entre os dois hoteis que fomos “roubados”. Meu, sério que quase levaram as suas coisas? Imagino o susto!!! Ainda bem que vocês mudaram de hotel e puderam criar outra impressão sobre a cidade 🙂 Obrigada por compartilhar a sua experiência com a gente! Beijocassss